segunda-feira, 16 de abril de 2012

Único e último




Antes do adeus na voz e no aceno
quero deixar-te um único poema.
Não vou versar tua beleza austera
de face angulosa como os cristais
de neve cinzas e azuis, teus olhos.
D'tua boca ficará a ferida na minha
e algo do mel e do fel como sabor.
Daquelas cartas que quieto escrevi
sobrarão os envelopes e os selos
e os papéis e as palavras não ditas.
Do louro cabelo da tua raça alemã
dois ou três fios acham-se por aí.
Mas, chega!, que amar à distância
é querer que uma vela oriental
no Ocidente fulgure como farol!

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