quarta-feira, 9 de maio de 2012

Sonho de anjo


Menina, eu te vi dormindo...

e quieto e manso

sentei-me ao lado

a perscrutar o que acontecia

neste sono leve

e despreocupado

no qual dormem os santos.

Talvez sonhavas

com os bosques

forrados de folhas douradas

na qual pisavam

os nossos cavalos

e sobre as quais comíamos

as tortas da avó

ranzinza, a tua

avó que cheirava à canela.

O relógio pedia

mais um tempo

antes de voltar-me ao sol

gelado do Brasil

e deixar-te só

nestas neves flamejantes

da Germânia.

Pela primeira

vez o sono de um serafim

algum mortal

pôde sondar

sem o receio de fulminado

ser diluído

no Eterno

e acabar extinto sem alma

pelo atrevimento

d'olhar para o céu

destes teus olhos cerrados

como o Éden,

aquele jardim

proibido a nós pecadores.

Sonhavas sim!

E ousei sentir

que afinal o sereno sorriso

que carregavas

deitada em si

lá estava ao sonhar comigo.

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