sábado, 2 de junho de 2012

Pessimistas, realistas e otimistas

A vida humana é inequivocamente composta de extremos em praticamente todos os seus domínios e áreas. E, justamente por conta dessa “multiplicidade”, o ente humano acaba por “fazer uso” de pelo menos três tipos (quase “congênitos”) de discernimentos da realidade, enfim, daquilo que nos afigura como sendo o correto “andar das coisas.” Curiosamente, essas visões da realidade sempre são marcadas por uma relação na qual o presente acaba sendo uma visão, meio que “antecipada”, do futuro.

Pode-se, portanto, transitando-se de um pólo ao outro de um suposto determinismo das personalidades, ser pessimista, realista ou otimista. O pessimista é aquele que tende a encontrar o caos, o mal e o trágico em considerável parcela dos acontecimentos; o realista, por sua vez, supõe discernir apenas os fatos concretos da existência, sem, contudo, atribuir valores que escapam das questões e das coisas em si; já o otimista, às vezes carregado de um perigoso “alto astral”, costuma enxergar esperança e felicidade no improvável e na tristeza.

Naturalmente, é sempre desejável que seja feito um exame crítico, lógico e racional dos fatos inerentes à nossa “sacra vitae”, tentando, mesmo com hercúlea dificuldade, desvencilhar-se de emoções e sentimentos afetados. Claro está que não se pode separar o inseparável e dividir o indivisível, uma vez que todo pensamento racional é produzido, mesmo que minimamente, eivado de emoção. Como humanos, somos um todo – indissociável – no qual espírito, alma e corpo coexistem à “imagem e semelhança” da Santíssima Trindade. Ou seja: não se pensa sem sentir e não se sente sem pensar. Porém, há emoções que, apelando para os superlativos dos sentidos, se deixem guiar para posições e pensamentos nos quais o “coração” tem muito poder e o “cérebro” influência quase nula nas nossas percepções do mundo e daquilo que nos cerca.

O conhecimento milenar, acumulado por quase todos os povos, é claro ao dizer que a sabedoria é um dos frutos da moderação. E o é. Assim como nosso corpo biológico não pode, por muito tempo, em estado natural, suportar o quase congelamento das baixas temperaturas da Antártica e a causticante aridez dos desertos líbios, é impossível ao ser humano manter sua integridade físico-intelectual caso se deixe aprisionar por visões distorcidas (e por ele mesmo produzidas) da existência. Quando o prudente equilíbrio deixa de existir, estados patológicos avançam e, como os fungos parasitas que controlam a mente de certas espécies de formigas e as matam quando e onde querem, o ser humano perde uma considerável força de um dos mais belos e misteriosos dons dados ao homem por Deus: a consciência.

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