segunda-feira, 19 de novembro de 2012

"Cumprirá tudo o que me apraz" *

Uma das coisas mais duras que pode acontecer na vida de um homem de bem -- daqueles que se parecem, no sonhar, com José, o filho de Jacó -- é querer e não poder, é saber e não poder, é ser e não poder, é poder e não ter o poder... Quem "é" não dá o adequado valor e às vezes nem quer "ser", quem não "é" empenharia o universo se pudesse e luta feito um titã acorrentado às colunas da terra para "ser."
 
Essa é a nossa enigmática vida: a uns, as portas abrem-se tais quais comportas celestes; a outros, poucas vezes dá-se a maldosa oportunidade de poder enxergar apenas por milimétricas frestas -- nada próximo a Moisés vendo Yahweh pelas costas.
 
Se alguém me perguntar o quê eu acho disso tudo, vou dizer que é muito injusto... mas, o quê um mortal abobalhado pode fazer frente à essa ilógica razão das coisas senão reclamar valendo-se de alguma poesia, de música ou de escritos tolos como este? Deus nada nos deve, como diz o texto de Jó.

Então, é melhor que resmunguemos para nós e com nós mesmos, no silêncio meditativo daqueles pensamentos que vemos correr serenamente por detrás dos pensamentos comuns e silogísticos: "As coisas encobertas pertencem ao Senhor nosso Deus..." (Deuteronômio 29:29). A questão é que, nem por isso, a gente pára de querer poder. Ai de nós se nos conformássemos!
 
* Referência à Isaías 44:28

quarta-feira, 14 de novembro de 2012

quinta-feira, 8 de novembro de 2012

Maiêutica



Subirei pela escada de Jacó
sem anjo como exemplo
e no topo do terceiro céu
desatarei de Górdio o nó
conquistando o velo do eu

E o eu que quieto pereceu
volvendo em vida ao pó
agora vencerá e o troféu
porei sobre as chagas de Jó

Aos pés de Sofia nossa avó
lerei hieróglifos d'Perséu
e o som do piano em dó
susurrará: a razão verteu

Fé e ao sábio enlouqueceu
cortando o fio do bandó
deste Sansão não incréu
pedreiro em um templo

onde leu: γνῶθι σεαυτόν