sábado, 29 de dezembro de 2012

Lex mala

 
A jurídica norma é da morte porta,
lei de laboratório em tubo nascida,
no mal refinada e em rua vendida;
é luz enegrecida de vela no velório
por suor apagada antes do réquiem
não cantado por um ateu de batina.

Odeia da natura
as antigas regras
e da constituição
no céu legislada
ri em zombação,
desfaz as pregas
da legal atadura.

A justiça,
pura e lídima,
na verdade habita:
é fazer do sagrado
escrito o único rito,
pois no outorgado
decálogo se milita
toda legítima
sentença.

quinta-feira, 27 de dezembro de 2012

-- Sem título --

"Aber die beste und sicherste Tarnung (finde ich) ist immer noch die blanke und nackte Wahrheit. Komischerweise. Die glaubt niemand." (Max Frisch)
 
 
A mentira é complexa
e tão fatal ao pensador
quanto a teia da aranha
é ao mosquito andarilho
e o sujo bolor ao cequilho
q'com a fome barganha
para do estômago a dor
expulsar a azia conexa.

A verdade é simples
e singela como a água
que escorre humilde
buscando os lugares
mais baixos da terra.
Foge o falso da guerra e
sobe medíocre serra:
não quer nos lagares
sua infértil vaidade
malhar com a mágoa
dos pseudo-crimes.



sexta-feira, 14 de dezembro de 2012

De ponta-cabeça: finis venit, venit finis

 
"Grande é o choro dos que vão ficar quando o meu Jesus regressar."
(Biancó, citado pelo Pr. Gilvan Rodrigues)

Barriga já cheia
mas não alimentado.
Sabor que degustado
desprezou a ceia;
somos mosca na teia,
gusano devorado.

A lasca do verniz
mais vale que o lenho,
já dogma tão ferrenho
risca o negro giz
na lívia lousa meretriz.
O mal é desenho.

Respirar no vácuo
do metano o perfume,
e o fresco ar no cume
apelidar de fátuo.
E o teu couro, inócuo
odor será no curtume
                       do Iníquo?