terça-feira, 5 de fevereiro de 2013

Breve nota

"São João Baptista no Deserto" (Mestre de Lourinhã, 1515)


Ao sincero pensar, geralmente faz íntima companhia o pouco brio financeiro. É fácil perceber que os homens dedicados à busca da verdade e ao estudo espirituoso da vida não trazem consigo ambições maiores que aquelas expostas no conselho dado por São Paulo a Timóteo: "Tendo, porém, sustento, e com que nos cobrirmos, estejamos com isso contentes."

Não raro, essa situação beira à penúria, como no pictórico caso do salmista Asafe. As Sagradas Escrituras estão repletas destes exemplos. Entretanto, também entre os pagãos já havia um "culto" à aurea mediocritas. Quem não se lembra da esposa de Sócrates passando-lhe sermões pela sua falta de "querer" arregimentar bolsas e bolsas do vil metal, à semelhança dos sofistas? Vale citar Horácio: "Quem ama a preciosa mediocridade é sóbrio e evita os invejados palácios."
 
Há algo de puritano em todo filósofo verdadeiro.

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