domingo, 1 de março de 2015

O Amém

A tempestade um dia chegará.
Mansa e silenciosa ela chegará. 
Quando as luzes estiverem acesas
e os círios verterem luz sobre a luz,
a tempestade quieta chegará. 
Ao meio-dia ver-se-ão fantasmas. 

A folha se aquietará, 
o tempo se esgotará, 
o mundo se calará. 
Que será revelado, então? 

A tempestade expurgará o cinza:
sombra alguma do sol se nutrirá.
Um raio partirá em porções todo pão
e as nuvens trovejarão água no cálice
do pobre Lázaro -- rei e sacerdote. 
Ouvis a gota? Dilúvio ela jorrará. 

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