sexta-feira, 17 de abril de 2015

A lira sem cordas

Se o mundo gritar, silencia.
Emudece quando o barulho dominar.
Jamais disputarás alturas de som,
elevando o volume do teu Handel
quando o bárbaro urrar no morro
higienopolitano e batucar na laje
dourada do centro paulistano. 
A Suburra é democrática:
é o pandemônio do CEP,
é a confusão da Geografia 
nobiliárquica. Delenda est Gotha! 
Tudo é pântano agora. Auê-ê-ê-ô-ô-ô
Foi-se embora até o ingênuo lá-lá-lá.
Policarpo que guarde a quaresma
e deixe ao canto o violão do povo: 
Das wohltemperierte Klavier o aguarda.
Só se toca, musica e canta 
o fácil que é belo 
quando se venera na partitura 
o belo que é difícil. 
Popular que não seja pop
almejará "seu" Zé-ninguém
se deres àquela boa alma
a Composição que vem do Além.

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