sexta-feira, 8 de maio de 2015

-- Sem título X --

[O anjo sorridente da Catedral de Notre-Dame de Reims]

Tu és o que és. 
O que foste sempre serás.
Serás como és.
Não poderás ser outro. 
Nunca foste outro. 
Equilibrar-te-ás no teu eixo,
no vórtice do teu ser
e serás mais do que és:
potência do mesmo,
argila da ânfora grega
e da porcelana china,
chama para a fogueira celta
e para o Farol de Alexandria.
Não podes negar-te a ti mesmo. 
Tu és o que não pareces ser
e o que pareces ser. 
A sombra denuncia a luz
e a luz provoca a sombra. 
Serás menos do que és:
quando do núcleo foges,
o mármore romano
pelo escaravelho é talhado
e a postura hierática 
dos fanáticos assumes.
Serás menos quando o tempo
jogar e milhares de ti
conforme as eras gerar. 
Mas, nunca serás outro.
Nunca e jamais o teu eu
se alterará em mudança. 
Sendo, serás o que és.
Pelo que foste, serás. 
Tu és o que és.

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