sexta-feira, 26 de junho de 2015

Ars vincit naturam?


Quando o Mundo se desfizer em fogo, conforme escreveu São Pedro, os anjos não transportarão ao Paraíso a “Pietà” de Michelangelo, a “Divina Comédia” de Dante, “A Noite Estrelada” de Van Gogh e a “Sinfonia No. 9” de Schubert. Todas as grandes obras do gênio humano, custodiadas nos milhares de museus, galerias, teatros, bibliotecas, salões e lugares públicos e particulares que se erguem sobre a Terra, serão pulverizadas. A renascentista Capela Sistina ruirá tal qual a “Fountain” dadaísta de Duchamp. No Apocalipse, o Grandioso e o Belo nas artes se igualarão ao Medíocre e ao Feio, assim como os homens terrenamente se igualam pela Morte. Recordo, com forte aperto no coração, que o esplêndido tríduo de Dies Irae de Mozart, Verdi e Berlioz também dissolver-se-á em cinzas quando vier o Dia da Ira da Trindade a dissolver os séculos...   

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