domingo, 29 de novembro de 2015

Arquivelho

Quatro anos e eu via os milênios correndo com os meus pés.
Quatro anos e eu sentia os séculos passando por estas veias.
1993: senti-me longínquo, tão antigo -- tal qual aquelas teias
que gerações de aranhas vão fiando pelo castelo abandonado.
Oh, gente da minha terra, este meu inconsciente é o passado.
Oh, gente da minha terra, os ancestrais são os nossos sopés.

O que era letra de giz passava a ser entalhe em duro mármore.
O que era imagem de flash atual passava a ser fio de tapeçaria.  
1993: senti-me peregrino de calendários, tão lá -- como a alegria
do anjo sorridente da catedral de Reims, mirador de gargalhadas.
Ah, pedra e rocha, na genética ou na alma eis tuas balaustradas.
Ah, pedra e rocha, minha seiva é o sangue da primeira árvore. 

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