sábado, 7 de novembro de 2015

O Rei está voltando

As folhas farfalham no caminho
e a terra de passos se deixa marcar.
Mas, quem pisa? Quem toca o chão?
Acendo uma luz. Mantenho-a acesa.
É madrugada, mas rodopiam os girassóis.
Aquele fio de água, no quintal, murmura
o som de um oceano. Quem o movimenta?
A coruja anda cantando como o rouxinol.
Os cães todos ladram felizes
e os gatos passeiam entre eles.
Eu via as formigas carregando o mundo,
ajuntando pão para o inverno. Onde estão?
O regador está quebrado, mas o verde
não quer abandonar a grama do jardim.
Os lírios e as rosas sequer murcham.
Larguei os óculos e a bengala.
Os olhos já não doem quando choro
e até um pulo eu dei ontem à tarde.
Acordei à quarta vigília da noite,
ouvindo o popopopopo de um bebê.
Era um soprinho veemente e impetuoso,
que encheu todo o meu quarto e me ninou.
Leio no jornal que o planeta está em crise.
Estranho. Aqui em casa vai tudo bem.

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