domingo, 22 de novembro de 2015

O Reino

As estrelas giravam como o carrossel em Paris.
E a lua, disco de plástico, era lançada no parque.
Senhor, que sonho! Que sonho foi este que sonhei?
Os anjos jogavam futebol e cavalgavam cometas
e nós nos aproximávamos da medula do tempo
como que vendo as auroras do profeta Ezequiel.
As árvores batiam palmas e dançavam Strauss.
Senhor, tu que é minha luz e salvação, dizei-me:
Por que o sol não queimou quando o rosto me roçou?
Por que a minha voz, quando quis gritar por guarida,
Só pôde cantar cantigas de ninar? Handel as compôs?
Sem mover os lábios, conversei horas com meus amigos.
Sem mover os pés, andei pelos confins do teu Universo.
Senhor, que visão! Que visão foi esta que tive?
Foi meu cérebro que, cheio de química, alucinou-se?
Ou terá sido o teu coração dizendo profecias ao meu? 

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