sexta-feira, 25 de dezembro de 2015

O Desencantado [letra de música]

para a melodia de "Nadau"

Vim cortar capim e comer pão.
Não encontro nenhum sentido. 
Depois da briga peguei estrada
E corri nu pelas serras e vales.
Vim cortar capim e comer pão.
Não sei se subo ou me arribo.
Qual é o caminho, por piedade?
Por qual caminho posso correr?
Em qual dos caminhos tu crês? 
Já não sei qual é o meu nome. 
Chamam-me “O Desencantado”. 
E então me esqueci do passado 
Para me lembrar do dia de hoje. 
Já não sei qual é o meu nome. 
Chamam-me “O Desencantado”.
Oh, relógio que me fazia pensar,
Agora não sei se é dia ou noite.

Esqueci-me dos meus amigos
Para não ter que dizer adeus. 
Quanto a ti, meu amigo Deus, 
Querem me entregar ao inimigo.
Hoje eu quero ver a lua descer, 
Para a tua santa igreja baixar. 
Quando eu me passar para lá
Vou mandar um cartão-postal.

Aqui na terra queima o sol. 
Corro atrás dos rios claros. 
O terreno já está capinado.
Com luz foi todo semeado. 
Não haverá fim sem o pão. 
Não quero o teu rico anel. 
Eu só quero meus prados. 
Enquanto cantam os serafins,
Todos os anos recolho nos ares. 
Já não sei qual é o meu nome. 
Chamam-me “O Desencantado”.
Não quero ser o mais grande rei.
Quero ser peregrino e encantar. 
Já não sei qual é o meu nome. 
Chamam-me “O Desencantado”.
Quero mais a solidão de calar
Que com discurso importunar.

Esqueci-me dos meus amigos
Para não ter que dizer adeus. 
Quanto a ti, meu amigo Deus, 
Querem me entregar ao inimigo.
Hoje eu quero ver a lua descer, 
Para a tua santa igreja baixar. 
Quando eu me passar para lá
Vou mandar um cartão-postal.

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