sexta-feira, 15 de janeiro de 2016

Dadaísmo Significante -- I

[exercício de versificação]

Saltimbancos assaltam bancos
Nas ruelas rudes da Venezuela.

Tolo é o estupor de supor poder
Por susto no estúpido rei surdo.

Anátema contra seres animados!
Amálgama das reses dos pobres.

Perdizes perdedoras asseguram:
Mentes a dor e agrura que dizes!

Collor coloria frascos de colônia.
Eu colava cacos e ria dos fiascos.

Mortificai as vossas carnes cruas.
Cruel e nua é a tosse de Mordecai.

As imensidões solitárias regulam
As medidas e réguas do sol sicário.

Extraviaram-se as malas velhacas
Das vacas de talas extravagantes.

Normalizada a situação, o sítio
De azarada sorte acionou acintes.

Advogados rogam pela revogação
Das togas inadvertidas em voga.

Conselhos novos aos cílios e sírios
Que se queimam nos velhos círios.

Debulhar as bruxas em fogueiras
E burlar os trouxas das frias eiras.

Silêncio no cio dos entes silvícolas:
Eles reverenciam dentes e incêndios.

Acordei de um sonho que ardia
Acordes de Nárnia no coração.

A doçura de Mariana amargou.
Mara agora é o nome do açude.

Sem marcas nem cartas rápidas,
O marquês escrevia glosas áridas.

Berravam os menestréis as estréias
Dos aberrantes pastéis da Benfica.

O buraco no chão e o vácuo no alto.
Asco de pão chamuscando no álcool.

Entre o lirismo e o cinismo ele morreu,
Entregando um lírio roído ao mulherio.

Farto de pão, amassou farpas afiadas
E assou dardos nas brasas das harpas.

Dona Maria será martirizada em Marte:  
Seu Mário faz serão nas nuvens de Vênus.

Se um piano piar quando a lua sumir,
Debussy se arrepiará no dia sem ano. 

Robinson Crusoé quebrou o velho oboé azul
Do filho de Roberto perto do Cruzeiro do Sul.

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