domingo, 10 de janeiro de 2016

Livre-arbítrio no ciclo hidrológico

Alforriada está a pequena gota para
Juntar-se ao balde e, de lá,
Subir à transcendente torneira,
Percorrer os canos todos, 
Navegar pelas tubulações até a bomba
E trilhar a senda freática
Té que, unida aos mares subterrâneos,
Outra vez irrompa na superfície
Da terra, onde o sol lhe aquecerá,
Lhe sublimará em vapor ascendente:
Navegará pelos céus outra vez,
Percorrerá continentes e oceanos
E então descerá com a chuva para
Se infiltrar nas camadas do subsolo,
Se arraigar no turbilhão das águas,
Ser captada pela mesma bomba,
Ser vazada pela mesma torneira,
Cair pingada no mesmo balde,
Ser derramada no mesmo ladrilho. 
Terá poder a pequena gota para
Lutar contra sua própria natureza?

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