domingo, 13 de março de 2016

Tu és oleiro

Não desprezarás teus trincos.
Um deles, solitário, pôs ao chão
As muralhas de Constantinopla.
A rachadura cresce silenciosa
Em árdua e constante obra.

Tu és para Deus o que é para o sábio japonês sua vasilha mais íntima: quando trinca a porcelana pelo uso constante, pelo trabalho que diariamente a desgasta, ele repara com o ouro mais puro a fresta, a greta, a fenda -- o fio radicular de vácuo. 

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