quarta-feira, 27 de abril de 2016

Dadaísmo Significante -- III

[exercício de versificação]

O grilo agrícola agride
O copo de coca-cola:
Odeia o gosto, o sabor,
O odor da ceia agridoce.

Rememora a última hora
Em que a roda urgia biles,
Quando remavas embora.

Lágrima doce rola a página,
Esgrimindo voz imaginária.

Suportarás o suor surtado?
Trabalharás embaralhando
As taras e surtos do humor.

É mister que haja mistério
E miséria em todas as eras.

O alho é sobretudo grisalho.
Allium, Allium über alles...!

Joana d’Arc toca piano:
Dó-ré-mi em Domrémy.

Além das alamedas estão
Os medos de Alá -- o Islão:
Um cão que late e morde,
A canção da certa morte.  

Água para a pulga nula.
Anágua para a puta nua.

A fantasia não é tão fantástica
Quanto a realidade da verdade.

Ninrode rodeia os ninhos de Deus:
Ele quer sacrificar os passarinhos
E fincar os sacrilégios do passado
No presente que o leigo apresenta.

Areia e sol para som e caverna.
O ermo é cavado solitário no ar.

Não se queira dizer aos queridos amigos
O quanto os arminhos queimam na eira
Dos operários que desdenham o horário
Enquanto o carrinho pega fogo solitário.  

Puro pus! Pus puro escuro: esquisitice.
Ésquilo purificou a sandice de estilo
Dos puristas encapuzados do teatro.
Teu átrio, zeloso pária, é sítio de bile! 

O guarda da alfândega é analfabeto:
Um pândego cheio de aguardente,
Um feto seco de meio século sujo.

Aliás, alias é um nome que se esconde
Por detrás da fome de se alienar de si.

Olga gabava antigas cantigas escritas
Sem crivo, testava goles de óleo gasto.

Adeus, dúbia panela da favela de Esaú! Adeus.
À tua janta núbia, o favo e o desfavor de Deus.

Normalmente mente o homem normal.
A norma: a semente da mente é alada. 

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