sábado, 2 de abril de 2016

Desiderium mimeticum

Nem todas as estrelas brilham.
Algumas apenas estão onde estão.
Esquecidas do nome que o Senhor lhas deu,
Míopes no grande breu do Universo.
Anãs ou com grandeza, elas apenas emitem luz.
Novas ou anciãs, elas apenas aspergem fótons.
Qual é meu mérito se existo porque me fez Alguém existir?
Se os nautas me desenham e apontam em cartas
Ou se aqueço uma atmosfera qualquer,
Assevero-lhes: não é minha culpa.
Nunca brilhei neste meu estatismo.
Nunca escolhi orientar os olhos noturnos                           
Ou prover o planeta de alimento para os pulmões.
Estes cometas que cortam os quatro cantos
Do Inangulável também não escolheram quais rotas tomar.
Ainda assim, desejo singrar o céu como eles,
Deixando rastros instantâneos de luz por onde passar.
Provavelmente, também o Halley quereria descansar
No oásis de um eixo quieto, fixo como o número zero.

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