sábado, 23 de abril de 2016

Teo-ciência à moda pré-histórica

Conheço o fogo na terra. Aqueles pontos de luz no céu noturno devem ser as tochas que iluminam o palácio dos deuses.

Quando me entristeço, caem gotas salgadas dos meus olhos. A chuva deve ser o choro adocicado das deusas.

Matei uma formiga com um cuspe. Esse dilúvio de que nos falam os velhos deve ter sido o escarro de algum deus.

As árvores, quando machucadas, deixam escorrer um sangue esverdeado, mas outra vez brotam e revivem mais viçosas. As árvores devem ser deuses, porque como eles são imortais.

Os grandes acontecimentos divinos ocorrem desde acima de nós, no céu. As aves vivem no céu, donde os deuses deliberam. As aves devem trazer mensagens de lá.

Há muitos homens na terra. Um só deus não poderia cuidar de todos nós em nossas diferenças e divergências. Devem existir muitos deuses para nos escutar.

Conforme o formato da lua no céu, minha lavoura produz mais e melhor. Até meu cabelo fica diferente. Este círculo de prata deve ser um deus.

Uma coruja piou forte sobre a casa do meu vizinho na noite em que ele morreu. As corujas só caçam à noite. Elas nos caçam a mando de algum deus.

Quando estou bravo, minha voz fica potente e grave. Os trovões devem ser os brados de fúria dos deuses. 

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