sexta-feira, 27 de maio de 2016

Dez perguntas para se fazer à uma mulher antes de amá-la

I. Da vida, queres o quê?

II. Desejas perpetuar-te em filhos e netos, enfim, em gente por nós concebida nesta terra sob o céu?

III. Que[m] é Deus para ti? Um velho adorável de barbas alvas como as nuvens? Um eco paternal que retumba em cada pulsação do teu coração?

IV. Aceitas “rasgar” a carne deste teu belo dedo, engastando nesta pele branca e lisa uma aliança para nunca mais daí tirá-la? Deixarás este círculo polido de ouro se exibir na tua mão até quando ela se abarrotar de rugas amarelecentas?  

V. Amar-me-ás quando, furioso, eu mentir e disser que talvez não mais te ame?

VI. Se brigarmos (brigaremos, porquê a “implicância que belisca” é órgão vital do amor), quanto tempo durará o mútuo fingimento da ira acesa-mas-apagada e do pecadilho que se joga-na-cara-mas-já-perdoado?

VII. A cidade ou as serras?

VIII. Jogando merecidamente copos pesados e palavras duras nesta minha cabeça imensa, faremos depois os curativos com palavras dengosas e vinho trasmontano?

IX. Quando eu te escrever poemas, guardá-los-á haja o que houver ou à primeira rixa picarás toda a multidão das páginas nem com os dedos quentes pelo sangue quente, mas com alguma fria tesoura cega?

X. Posso amar-te? 

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