quarta-feira, 11 de maio de 2016

Diário em Midgard -- II

Chove luz na terra. O sol se esconde, mas perpassa discreto as gotas de água que descem retilíneas sobre o gramado. O líquido verdeja com as folhas do carvalhal.  

As nuvens são brancas e cinzas, candidamente entremeadas de azul-violeta. Mesmo no trovejar irradiam sossego. Se os deuses antigos martelavam dardos furiosos dos raios, Ele os ondula pelo céu, fazendo-os dançar com a suavidade dos vaga-lumes noturnos.

Os milênios poliram os seixos de quartzo do ribeiro. Nas margens, eles rutilam transparentes, salpicados pela chuva e pela própria correnteza. Quais gotas emergiram das entranhas da terra e quais baixaram do alto? 

Nenhum comentário: