sexta-feira, 20 de maio de 2016

Diário em Midgard -- III

O eco retumba as palavras serenas e sussurra (como se estivesse diante de um recém-nascido) as mais violentas. Por que a repetição altissonante quando se escreve “paz” e a gagueira emudecente quando se soletra “guerra”? As palavras que digo ao pé do ouvido da montanha deságuam em todas as fontes do bosque. Cachoeiras tenores, regatos contraltos, córregos barítonos, rios baixos, riachos sopranos.

As macieiras folgam avermelhadas. As amoras estendem os frutos maduros sobre a terra roxa -- ali, a polpa do homem encontra a polpa da árvore do Éden. Os vermes comem a carne verde das maças. Os pássaros colhem os restos sazonados e o delicioso restolho final repousa assado nas tortas das avózinhas do povoado. 

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