terça-feira, 24 de maio de 2016

Diário em Midgard -- IV

A colina é alta. No topo, assenta-se viçosa a mais esplêndida oliveira desta banda do horizonte. Tronco cor-de-pele, folhas cor-de-esmeralda. Imponente como esmerada jóia da ourivesaria micênica. Fantástica como a descida de um anjo flamejante entre os escombros de Atlântida. Subo para lá. Descalços, meus pés se auto-conduzem.

Sete casais de pombos repousam sobre seus lustrosos galhos. Outras aves, de magnífico e colorido porte mas de raça indiscernível, voam e pousam, sem parar, no conjunto de doze raízes que aparece sobre a terra.

Escorado no venerável lenho, contemplo as terras próximas e longínquas. É meio-dia e no céu se podem discernir constelações, algumas inversas na posição em relação àquelas que se viam no outro lado. A Ursa Maior é uma carruagem-arado conduzida por sete sábios.   

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