quarta-feira, 25 de maio de 2016

Entrada no céu

Entrarei no céu com os olhos fechados,
Vendados por minhas mãos tímidas.
A pele que cobre o globo ocular
E a pele da mão que o recobrir
Não serão, eu sei, capazes de frear a luz
Que de todos os lados do mundo-sem-lado
Acudirão a tocar-me com silencioso amor.
Oh, Senhor, sou um crente envergonhado,
Tímido desde que o parto aqui me lançou.
Entrarei no céu esgueirando-me
Pelas ruas de ouro e cristal,
Pensando no que dizer ao te encontrar,
Acanhado por ter um dia duvidado,
Retraído como as seis asas do serafim.
Entrarei no céu com o coração palpitando,
Com o sangue dourado correndo furtivo
Pelas veias do espírito glorioso.
Entrarei no céu com um novo nome,
Desconhecido da multidão de santos e anjos,
Mas conhecido do teu abraço de bem-vindo.  

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