segunda-feira, 13 de junho de 2016

Diário em Midgard -- V

O dente-de-leão se vai, empurrado para o Oriente por uma lufada de ar quente saída da boca do cordeirinho. Atrás, as pétalas das orquídeas se dispersam para o Oeste, forçadas pela disparada das mariposas-esfinge. As roseiras e as açucenas permanecem hirtas e hieráticas, no centro do promontório.

Tenho sono. Em poucas horas (três, talvez) poderei descansar por todas as semanas passadas. O tempo me toca com a leveza da brisa matutina, lentamente consumindo a pele seca dos meus pés e o orvalho fresco no qual eles se banham. Vinte e quatro horas fluem como vinte e quatro séculos. O tempo, impassível, frui do cenáculo da Eternidade?

Floresce a fauna, segundo sua espécie, pela sementeira da Inteligência na terra espargida. E a erva -- grande e pequena -- pela aurorada libido da luz enche os campos. As crianças, brincando aos pés da amendoeira florescida, cantam: “No ano que vem, aqui no além!”

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