domingo, 21 de agosto de 2016

Diário em Midgard -- VIII

As cerejeiras não querem florescer enquanto o vinho não acabar no banquete. As taças espumam e os cálices transbordam. Bebedeira? Nenhuma. Embriaguez? Que é isto, afinal? O sábio Khayyām está escandalizado: quer correr ao lagar e comer o mosto das cólicas do espírito.

Ensinaram os prussianos a empunhar pincéis orientais? Ensinaram-nos a carpir os campos de batalha e chorar longe dos jardins? Os reis são estalajadeiros e os nobres servem pães de cevada aos camponeses. O 777º barão de Shim’on é um dos melhores jardineiros da aldeia.

Os cães comem grandes bocados de pão-de-ló e os gatos lambem o mel que escorre da colmeia do nonagenário Napoleone. As cerejas estão maduras e cozidas no vinho dos vales altos? Mas... onde estão as flores?  Comamo-las antes que se tornem sementes-em-broto.

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