domingo, 4 de setembro de 2016

Triste pueblo sin ventura

Carpirás o mato dos túmulos vazios?
A enxada enferrujou no poço de lágrimas.
A lima? Perdeu-se no meio do laranjal.
Conta aos mundos a épica falsidade
Dos versos aos tiranos dedicados.
Conta aos mundos e aos três céus
Que rimas adornaram cadafalsos
E que redondilhas douraram prisões.
Chora antes pelo corpo dilacerado
Do ladrão não pranteado,
Do pobre envergonhado e aguilhoado.
Chora pelos criminosos sem réquiens.
Deixa aos menestréis do poder
A ode fúnebre nas catedrais. 
Uma marcha para Maria a Sanguinária! 
Um discurso para a pira de César Augusto!
Vou ali no canto, preparar a foice.
Vou ali no campo, decepar o trigo.
Quem o suor sempre bebeu,
Nunca ouvirá o conselho de Aitofel.

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