quarta-feira, 2 de novembro de 2016

Diário em Midgard -- IX

A noite cai esbranquiçada. O inverno reúne todas as cores -- prisma invertido que é quando verte seus cristais sobre a terra -- na placidez alva da neve. O vento não compete com os lobos. É tão suave o som do ar-avançando que faz supor que a maresia das águas orientais vaga nas campinas do vale.

Os chefes das famílias repicam os sinos nos jardins ao anúncio da meia-noite. O ancião-mor toca o galo de prata e corre à cerca da igreja para incomodar o galo dormente até que ele acorde e cante a plenos pulmões. O coral das crianças entoa, tão logo, uma composição dos tempos rúnicos.

Uma grande mesa é posta. Sentam-se apenas as crianças. Os adultos (seus pais e mães, seus avôs e avós), em jejum, servem-lhes azeitonas cozidas, suco de uva e pão quente com manteiga. Está comendo a última criança: quis mais pão e vinho. Toda a aldeia o espera em silêncio. Ele acaba de comer a última migalha e beber a última gota. Eis o novo pastor. Todos saúdam: Tu es sacerdos in Aerternum!

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