terça-feira, 1 de novembro de 2016

Durante as aulas de terça-feira

Amanheceu o mar na fragrância da luz de agosto, como o dourado lusco-fusco dos dobrões sepultados no Atlântico. Os pés na areia eram limpos das escamas do pó moribundo -- a pele, da cor da lepra.

Ela não sabe mas sabe
Que a amo desamando,
E que ela a quem ama
Ama tanto e odiando.
Bom espanto e acalanto
É o olhar que mira desviando
Na fresta, na fechadura sem chave.

Rita, tão pura e impura:
Virgem de beijos de amor,
Com os lábios gastos no bolor
De contatos desalmados. 

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